2013/06/09

3659 Não vou ter tempo

Não vou ter tempo.

Embora me programar
Com sofisticados
Dispositivos
De relojoaria suíça,
Não vou ter tempo
Para esquecer
O fabuloso arco de suas sobrancelhas,
Minha carícia noturna
Deslizando em seu tórax,
Seu sorriso
Como baú de pérolas.

Eu realmente suspeito que não,
Não vou ter tempo.

Teria primeiro
Que começar a fazer
Emergir
O titânico iceberg
De fantasia,
Esta massa gigantesca
De recordações,
Que eu levo dentro, lá
No profundo,
No abismo fundo,
Aquela chamada região abismal
De meus anseios,
Onde vive
Inconscientes
Peixes sem olhos,
Onde aninham
Recordações que emitem
Sua própria luz.

E uma vez
Na superfície
Deixar exposto ao ar
Os mímicos
Um por um,
Como esparramados
Na via láctea,
Estrelas fosforescentes
Na praia,
Luminosa constelação
De supernovas,
Areia infinita do mar.

Não vou ter tempo.

Eu já sei que não vou ter
O tempo.
Não me dará o tempo,
Embora governar meus passos
De acordo com as coordenadas
Do mecanismo
Da ilusão,
Antes vai chegar
O fim de meu próprio fim
Sem esquecer
Do fabuloso arco de suas sobrancelhas,
De minha carícia noturna
Deslizando em seu tórax,
De seu sorriso
Como baú de pérolas.
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