2015/11/07

3747 Coisas imersas no meu mar

Como se fosse placa tectônica
Depois do terremoto
Em um processo
Semelhante
A subducção
Eu fui para dentro
Do meu próprio ser.

Eu afundei
Sob os meus pés
Numa improvisada
Liquefação.

Mar adentro
Sem âncoras,
Nem bússolas,
Nem quadrantes,
Nem astrolábios,
Sem máquinas
De Anticítera
Nem pedras solares.

Sem a ajuda dos deuses.

Atraído pelo campo
Magnético
Da minha própria rotação.

Apenas equipado
Com um fardo
De desesperação.

E ali, na ausência de você
Eu comecei o inventário
Das coisas submersas
Na minha mar:

Belas ânforas
Perdidas
Nos labirintos
Da minha memória.

Envelhecidos
Canhões de corsários,
Barcos de frágeis velas,
Tigelas de porcelana,
Baús cheios de pérolas.

Mil castelos coralinos,
Rebanho de brancas baleias
Banco de peixes aflitos,
Nas marinas pradarias.
Floresta de verde algas,
Colônia de tritões
Desolando minhas paixões.

Cidades de ondas
Cúpulas de nácar
Pássaros pelágicos
De asas cansadas.

E é assim que eu descobri
Essa ilha mítica
Remanescente
Nesse lugar
Segredo
Do mais remoto
Oceano
De minha ilusão.
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