2013/09/15

3682 Esta tarde está em minha garganta

Esta tarde cruza-me
O desejo de esparramar
Os esporos
Deste fundo sentimento
Entre suas veias.

Esta tarde tremulante eu desejo
Que minha paixão ressurja em você,
Que de repente favoreçam
As condições do vento
E que se pintarem os dias
De outra cor,
Que a copada árvore
Do veemente anseio
Cubra com suas ramas
Seu jardim.

Se eu pudesse esta tarde
Antepor uma montanha
De ternura
Para suas ansiedades
E no que dirão.
Provavelmente para isto
Eu precise
Um movimento telúrico
Ou tremor dérmico
De magnitude estelar,
Remover as funestas
Colunas filisteias
Mesmo com se eu fosse
Um bíblico Sansão.

Mas esta tarde ao abrir minha boca
Só da para engolir
O alento do éter
Que vem do leste,
Onde permanece
Você sem mim.

Onde estará a alça
Neste universo curvado.
Esta tarde não é
Cabo de punhal
Mas lâmina de alfanje
Ao qual eu sem mais cerimônias
Devo-me agarrar.

Esta tarde
Está em minha garganta.

Por aqui passam
Todas as horas
As hordas de desejo
Um oceano incontrolável,
Espuma delirante que alaga
Meu peito contrário à pederneira.

Eu vou ir de mar em mar
De porto em porto
De porta em porta
Até dar com a secreta
Melodia
Que clame você à noite
E o invoque você no dia,
Para que assim me deixarem
Os amargos dias
E a névoa parda,
O véu de endechas
Com sua clara-escura luz.
Remover a obstrução
De meus melhores sonhos
E todas as coisas sutis
Mas desassossegantes
Que me afundam na lama
Da desesperação.
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