20260313

5955 Como a curva do meandro

Eu vejo você 
Rondar-me 
Com um suave 
Ronronar; 
Enquanto mordisca 
Minhas folhas tenras 
E meus brotos, 
Passa sua língua 
Pela borda 
Das pontas 
Dos meus dedos, 
Como um gato 
De rua 
Que espreita 
A curiosidade 
Na minha varanda.

Entendi que já estava 
Preso na trajetória 
Do desejo, 
Na órbita 
Do anseio.

Eu havia recusado 
Entrelaçar quimeras 
Que tivessem implicações 
Para o meu 
Coração cambaleante.

No entanto, 
Com sua cruzada 
Rumo à minha Jerusalém,
Demonstrou com fatos 
Que o devaneio 
É infinito, 
Que a palavra lançada 
Sempre retorna 
Como um bumerangue, 
Que a ilusão é 
Circular, 
Que seus olhos e meus olhos 
Fazem um nítido match, 
Que o desejo é 
Inevitável, 
Como a curva do meandro 
Nos rios que margeiam 
O monte Aconcágua.

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