20260307

5947 Comensal no banquete de Mardoqueu

Não é sempre, 
Mas quando eu 
Deslizo-me devagar 
Pelas costas 
Das suas íngremes 
Montanhas, 
Como se fosse 
Um surfista 
De prata, 
Sinto no meu peito 
A amálgama 
De sensações 
Que você me induze
A viver, 
Quando inspiro, 
Com o peito decidido, 
O pólen imaculado 
Da sua calma gemente.

E nestas 
Bolas de fogo 
Nas quais viajo, 
Envolto 
Pela aura 
Das suas mãos 
Sobre a minha cabeça, 
Vivo um apocalipse 
De avidez 
Que me faz suspirar.

Na verdade, 
O que quero dizer é 
Que anseio, 
Com desassossego, 
Voltar a repetir, 
Como comensal 
No banquete 
De Mardoqueu, 
Das suas frutas 
Vedadas 
Ao meu desejo.

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